Típico do estudante que leu pela primeira vez o manifesto comunista de Karl Marx. Guri novo. Não se conforma com as injustiças do cruel mundo capitalista. Resolve mudar o mundo nem que seja sozinho. Não importa como, vai ter que ser aqui e agora. Está aí formado o rebelde sem causa.
Obviamente, que ele não irá desarmado para guerra. A pedalada será sua arma. É dizer na bucha o que acha sem pensar nas conseqüências, doa a quem doer. Não interessa a quem, nem o que. O negócio é pedalar.
A semana passa e ele percebe como a sociedade é estúpida e desigual. Se o ser humano fosse menos ambicioso e o sistema menos sedutor poderíamos viver em paz e harmonia, todos felizes para sempre. Decide não perder mais tempo, está na hora da revolução! Vai para seu quarto, fecha a porta, apaga a luz, liga a computador e escondido atrás do monitor será onde tudo vai começar, parado ele não fica mais. E daqui para frente é só isso. Pedala desde sobre a árvore que cortaram no jardim até a crueldade com animais na China. Nem a mãe que veio só trazer o Nescau de lanche ele perdoa.
Aos poucos ele vai ficando paranóico e nem percebe. Todos estão contra ele. Não existem atitudes banais e impensadas a sua volta, tudo teve um propósito maléfico que quer acabar com a sua revolução. Até o dia que ele pedala alguém errado e termina por ser pedalado. O mundo cai.
“O que foi que eu fiz?”. Está confuso. Tudo que ele acreditava estar fazendo durante semana por um bem maior passa a não fazer mais sentido. “Por que estou fazendo isso?”. “Por quem?”. “Aonde quero chegar?”.
Uma semana. Foi o tempo que levou para o bom senso agir e faze-lo perceber que aquele não era o caminho. Não de maneira impensada, sem um objetivo claro. Lutar por uma sociedade menos desigual e mais humana se busca todos os dias. Exercendo nosso compromisso de cidadão: respeitando as diferenças, estando a par dos assuntos que rodeiam a sociedade, estudando para ter uma vida digna e poder compartilhar isso com os outros, etc.
Nem tudo foi perdido nessa criatura. O choque foi rápido e traumático, mas ao menos plantou-se uma semente de juízo nos miolos.
sexta-feira, maio 05, 2006
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4 comentários:
Sensacional.
A vida profissional também ensina muita coisa... por exemplo deixar de ser um visionário idiota e passar a cair na real do capitalismo em que vivemos. Sem jamais esquecer os princípios, isso é importante. É mais ou menos como viver na Matrix... heheheh
No fundo, a essência da coisa tá presente, os desafios estão na frente da gente e temos que abraçá-los, fazer a experiência. O que aconteceu com o garoto rebelde só o fez crescer, certamente.
Abs.
Faltou citar o nome desse infame.
Ele demorou uma semana... Eu demorei dez meses =(
opa, isso parece nossa aula de sociologia, não?
ahhh vai dizer que não foi de lá que tirasses insipiração para isso? hehehe
abraço loco!
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