Faculdade recomeça e começam a surgir trabalhinhos: resumos, pesquisas, projetos. Relendo um artigo de um de meus professores e grande designer Norberto Bozzetti para o livro Pensando Design achei muito interessante um pequeno ensaio que ele faz sobre a história do design gaúcho, dividindo-o em 4 momentos.
O primeiro seria um estado “primitivo”, em que para atender suas necessidades, nativos e imigrantes desenvolviam seus próprios objetos. De ferramentas e mobiliários a marcas para o gado, embalagens e símbolos de empresas e produtos.
Um segundo momento seria o entre as duas grandes guerras mundiais (1919 a 1939). A pequena industria gaúcha desenvolvia seus produtos desenvolvidos por profissionais da prática, que aprendiam com suas experiências em produção. A influência européia era visível, principalmente italiana e alemã que colonizaram esse estado.
A consolidação da indústria gaúcha nas décadas de 20, 30, 40 e 50 marca o terceiro momento. A necessidades de produzir produtos próprios devidos a carência de importação que as guerras causaram. Com as limitações de recursos de produção, era necessário que a criatividade local trabalhasse em cima da tecnologia possível para desenvolver bens-de-consumo viáveis como os que vinham do exterior. Em razão disso surgiram os primeiros núcleos de design dentro da engenharia.
No quarto momento, a arquitetura que proporcionou essa base para o design mais próximo do que a engenharia ou as artes. E foi na UFRGS, que nos anos 60 já estava consolidada, onde se iniciava a capacitação dos futuros designers. Até mesmo se tornou um espaço para debates, as vezes de caráter político, questionando a sociedade e os compromissos sociais da arquitetura e design. Além disso, o perfil do arquiteto se encaixava muito bem com o do designer, o que deu para o design desta época uma “cara” de arquitetura. Muitos dos designers que se destacam no mercado hoje são designers.
Ousaria adicionar um quinto momento ao design gaúcho, em que me situo e ajudo a construir. Marcaria o fim dos anos 90 como início deste momento. A difusão do computador como ferramenta de trabalho do designer e uma exposição da profissão para a sociedade são o estopim da mudança. Resultando disso, há uma explosão de cursos de design no Brasil, só no Rio Grande do Sul são mais de 10 instituições e crescendo... Aos poucos o mercado é preenchido com designers formados em cursos de design, com professores formados também em design. Mais do que isso ainda é cedo para dizer sobre o que nos espera do design no sul.
terça-feira, abril 04, 2006
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3 comentários:
Concordo com esse quinto momento. Um momento onde hoje temos os cursos de design pipocando. Já vislumbro um outro momento, onde teremos uma oferta muito maior de cursos de especialização no design.
Ontem, na volta da faculdade uma guria da minha van se questionava se não valia a pena fazer arquitetura em vez de design, já que "dá na mesma".
Me obriguei a dar um sermão, explicar as abissais diferenças que temos... hehehe.
Concordo com o quinto momento, mas acho arriscado caracterizarmos ele. O design, principalmente brasileiro, está passando por uma fase muito interessante, na minha opinião. Onde conceitos acadêmicos deixam de ser distantes e passam a ser reconhecidos pelo mercado. Necessidades convergem na concepção de atividades (essa é pra ti Moisés) e a especialização requer cuidado na formação e perspicácia na atividade.
O quinto momento certamente será isso que tu falou, mas o importante é o fato de termos professores graduados em design e pensando como designers e não como arquitetos (nada contra).
Ontem foi comentado no debate que está faltando uma unificação do ensino, um padrão para explicar design aos estudantes, será uma conquista para os próximos anos.
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